• Desacelerar… Você consegue (ou quer)?

    Muito antes do “Novo Normal”, já se falava de um novo movimento ou uma nova forma de vida: o Slow Living. Você já ouviu falar?

    Esse termo pode ser traduzido, de uma forma literal, como “viver devagar”, ou “viver sem pressa”. Não, não se trata de ser preguiçoso ou lento. Trata-se de um estilo de vida de propõe uma vida com mais propósito, ou seja, procurar viver de forma mais consciente e sustentável.

    Nos últimos meses, fomos obrigados a ter uma vida mais sossegada dentro de casa, a contragosto de muitas pessoas. O nível de ansiedade estatisticamente aumentou, pois além da preocupação em adoecer, muitos não conseguem lidar com o fato de não poder sair e, principalmente, socializar.  Eu, por exemplo, não vejo meu irmão há 8 meses, não queremos arriscar.

    Mas, apesar de tudo, que tal tentarmos ser positivos e tentar tirar um aprendizado desta situação? Vejo que muitas pessoas andam irritadas (o que afeta inegavelmente sua saúde mental) por insistirem em voltar à rotina antiga (o que era conhecido como “normal” anteriormente) “na marra”, inclusive tentando forçar outras pessoas (como familiares e prestadores de serviços) a voltar a essa rotina que elas consideram como certa. Há, por parte de certos indivíduos, a negação da realidade: Não usam máscaras, insistem em aglomerar e participar de atividades não essenciais. Dessa forma, não há serviço de saúde ou governo (honesto ou não) que deem conta.

    Vou trazer um outro termo que faz parte do Slow Living: O Staycation. É a mistura de “stay” (ficar) e “vacation” (férias). Nesse momento em que estou escrevendo, estou de férias, dentro da minha própria casa. Sei que muita gente optou por tentar viajar para alguns lugares mais isolados, perto da natureza talvez. Mas tanto eu quanto as pessoas que moram comigo somos grupo de risco. Apesar de ter voltado a trabalhar na rua, penso que quanto menos eu me arriscar, melhor. E também não me sinto segura para sair sem máscara, além de que ficar usando máscara e ficar higienizando a todo momento não parece nada divertido para mim (falo isso com base nas vezes que precisei sair para trabalhar ou fazer alguma coisa, tudo mudou).

    Então, estou tendo que ser bem criativa, para não ficar entediada (já estava fazendo isso na época do Home Office, mas agora é totalmente diferente). Eu já estava pensando nessa questão do desacelerar muito antes da pandemia. Leo Babauta, autor de The power of less (sem versão no Brasil), diz que “a vida se desenvolve num ritmo tão acelerado, que parece passar por nós sem que consigamos realmente aproveitá-la”. A vida adulta se resume a trabalhar (incluindo as tarefas domésticas) e dormir? Frustrante, não é mesmo? Não é à toa que muitos estão tentando se rebelar contra o isolamento, necessário para conter o coronavírus (compreensível, embora não justificável). Difícil falar para uma pessoa que ela não pode ver os pais ou se divertir, mas que precisa continuar trabalhando mesmo assim (não é apenas sobrevivência, há fatores sociais por trás disso).

    Nossa casa é o lugar onde descansamos. Onde encontramos afeto e podemos ser nós mesmos. Porém, o escritório invadiu o nosso refúgio, principalmente por causa da tecnologia. A internet nos ajuda em muitos aspectos, mas por outro lado também nos escraviza. Estamos fatigados com as demandas do mundo, que muitas vezes não refletem os valores com os quais concordamos. Por essa razão, optei por deixar o celular de lado nas férias e usar mais o computador, onde não tenho aplicativos como o WhatsApp instalados. Quando retornar ao trabalho, pretendo dosar isso, tendo horários específicos para verificar as mensagens. Tudo com parcimônia.

    O tempo parece escorrer pelos nossos dedos (daqui a pouco é natal!!!). Nossas vontades e desejos são adiados em nome da produtividade e das tarefas que temos que fazer, o que nos causa tristeza e ansiedade. Porém, podemos tentar ao menos amenizar isso.

    Faça menos coisas, de uma forma consciente. Procure focar no que realmente é importante e deixe o resto para outro momento. Se puder delegar, melhor. Não é vergonha precisar de ajuda, ao contrário do que a sociedade nos faz acreditar. Só adoecemos com isso.

    Procure desconectar. Mesmo que trabalhe com auxílio da tecnologia, e principalmente por causa disso, procure fazer intervalos. Estar online o tempo inteiro causa stress e diminui a qualidade do sono. Seu cérebro não desliga (mais um gatilho de ansiedade).

    Foque nos bons momentos e concentre-se no momento. Procure desligar-se o mundo externo e estar apenas presente. Tire tempo para pensar em sua vida, observar a natureza, coma mais devagar. Não seja multitarefas. Apenas aprecie o momento, seja ele qual for. Mesmo que esteja trabalhando, procure ver o lado bom em algo no seu dia.

    Focando no presente, você consegue refletir melhor e desacelerar. As chances de aproveitar bem os momentos aumentam. Pare de cobrar a si mesmo e aos outros. Estou disposta a tentar, e você?

    Simplifique-Ser!

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